Certificados de Aforro em 2026: taxa atual, regras novas e como subscrever

Os Certificados de Aforro estão a pagar 2,215% brutos em junho de 2026 — cerca de 1,59% líquidos no primeiro ano — com garantia total do Estado português. E desde abril há duas novidades importantes: o limite por pessoa subiu para 250.000 € e já é possível subscrevê-los ao balcão de qualquer banco, não apenas nos CTT ou na AforroNet.

Neste guia explico-te, sem jargão, como funcionam, quanto rendem na prática e como podes subscrever em menos de 15 minutos.

O que são os Certificados de Aforro?

Os Certificados de Aforro são um produto de poupança do Estado português, gerido pelo IGCP (a agência que gere a dívida pública). Na prática, estás a emprestar dinheiro diretamente ao Estado e a receber juros em troca.

São um dos produtos de poupança mais populares em Portugal por três razões simples:

  • Capital garantido pelo Estado — não podes perder o que lá puseres;
  • Juros que acompanham as taxas do mercado (Euribor);
  • Podes começar com apenas 100 €.

Quanto pagam em junho de 2026?

A taxa muda todos os meses. Para subscrições feitas em junho de 2026, a taxa anual bruta é de 2,215%, ligeiramente acima dos 2,195% de maio.

Como se chega a este número? A taxa base dos certificados (Série F, a única disponível para novas subscrições) é calculada a partir da média da Euribor a 3 meses, com duas balizas: nunca abaixo de 0% e nunca acima de 2,5%. Como a Euribor está hoje perto desse teto, os certificados estão a pagar quase o máximo possível.

Aos juros aplica-se a retenção de IRS de 28%, como em qualquer depósito. Ou seja, os 2,215% brutos correspondem a cerca de 1,59% líquidos no primeiro ano.

Os prémios de permanência: o bónus de quem fica

A partir do segundo ano, o Estado acrescenta um prémio à taxa base, que cresce quanto mais tempo mantiveres o dinheiro:

  • Do 2.º ao 5.º ano: +0,25 pontos percentuais;
  • Do 6.º ao 9.º ano: +0,50;
  • No 10.º e 11.º ano: +1,00;
  • No 12.º e 13.º ano: +1,50;
  • No 14.º e 15.º ano: +1,75.

Com a taxa base no teto (2,5%), um certificado mantido mais de 13 anos pode chegar aos 4,25% brutos. O prazo máximo da Série F é de 15 anos; no fim, o reembolso é automático.

O que mudou em 2026?

Desde 24 de abril de 2026 (Despacho n.º 5392/2026 do Ministério das Finanças), há três alterações a conhecer:

  • O limite máximo por conta aforro subiu de 100.000 € para 250.000 € na Série F;
  • O limite acumulado entre as Séries E e F passou para 500.000 €;
  • A subscrição passou a estar disponível ao balcão de qualquer banco comercial, além dos CTT e da AforroNet.

Para quem está a começar, o limite dificilmente será problema — mas poder subscrever no teu banco torna o processo muito mais simples.

Como subscrever, passo a passo

Tens três caminhos:

  • No teu banco: pede ao balcão a subscrição de Certificados de Aforro (novidade de 2026 — nem todos os bancos arrancaram ao mesmo tempo, confirma primeiro);
  • Nos CTT: leva o cartão de cidadão e um comprovativo de IBAN;
  • Online, na AforroNet (aforronet.igcp.pt): é o método mais prático para gerir tudo a partir de casa, mas o registo inicial pode exigir validação presencial.

O investimento mínimo é de 100 € (100 unidades de 1 €) e não pagas comissões de subscrição, manutenção ou resgate. Zero custos.

E se precisar do dinheiro?

O dinheiro fica obrigatoriamente parado nos primeiros 3 meses. A partir daí, podes resgatar total ou parcialmente quando quiseres, sem penalização sobre o capital — apenas perdes os juros do trimestre em curso, que ainda não tinham sido pagos.

É esta liquidez que torna os certificados tão bons para guardar o fundo de emergência: rendem todos os trimestres, mas o dinheiro está acessível em poucos dias se a vida apertar.

Vale a pena em 2026?

Depende do objetivo, e aqui não há volta a dar-lhe:

  • Para poupança segura e fundo de emergência: sim, dificilmente encontras melhor — a taxa bate a esmagadora maioria dos depósitos a prazo dos grandes bancos, com garantia do Estado;
  • Para objetivos a 10 ou 20 anos: provavelmente não chegam — com os prémios de permanência o retorno melhora, mas historicamente fica aquém de um investimento diversificado em ETFs (tema para outro artigo);
  • Para quem tem tudo parado à ordem ou em depósitos a 0,5%: é a mudança óbvia, sem risco acrescido.

Perguntas frequentes

Posso perder dinheiro com Certificados de Aforro?

Não. O capital é garantido pelo Estado português e os juros nunca são negativos. O único cenário de perda seria um incumprimento do próprio Estado.

Qual é o mínimo e o máximo que posso investir?

O mínimo são 100 €. O máximo, desde abril de 2026, são 250.000 € por conta aforro na Série F.

Quando recebo os juros?

Os juros são pagos a cada 3 meses e capitalizam automaticamente — somam-se ao capital e passam também eles a render.

A taxa que subscrevo hoje fica fixa para sempre?

Não. A taxa é revista trimestralmente em função da Euribor a 3 meses (sempre com o teto de 2,5% na taxa base). Os prémios de permanência é que estão garantidos à partida.

Este conteúdo é informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Confirma sempre as condições em vigor no site do IGCP antes de subscrever.

Lê a seguir: Certificados de Aforro vs Depósitos a Prazo: onde rende mais em 2026?